5×2, 6×1, 12×36: como funciona a escala de trabalho e seus tipos no Brasil

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Egberto Santana

Publicado em 13 de outubro de 2026 às 15:12h.

A escala de trabalho define quais dias um profissional deve trabalhar e quando terá folgas. No Brasil, os modelos mais conhecidos são 5×2, 6×1 e 12×36.

O assunto vem ganhando força nos últimos meses, especialmente durante o período de eleição, porque um desses formatos, a escala 6×1, esteve em debate no Congresso Nacional, tendo o Senado aprovado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e dois dias de descanso, sem redução salarial.

Confira abaixo os principais tipos de escala de trabalho no Brasil, como ficou após a aprovação do fim da 6×1, como funcionam as jornadas e o que diz a legislação.

Quais são os principais tipos de escala de trabalho no Brasil?

As escalas variam conforme o setor de atuação e as necessidades de cada empresa. Entre os modelos utilizados no Brasil estão os seguintes:

Escala 5×2

Na escala 5×2, o profissional trabalha cinco dias por semana e descansa dois. É comum em escritórios e empresas que concentram suas atividades de segunda a sexta-feira.

Uma jornada de 40 horas semanais, por exemplo, pode ser distribuída em oito horas diárias. Já uma jornada de 44 horas pode ser distribuída em oito horas e 48 minutos por dia (ou nove horas durante quatro dias por semana e oito horas no quinto), desde que haja uma compensação de jornada.

Os dois dias de descanso não precisam ocorrer no sábado e no domingo. Dependendo da atividade, as folgas podem acontecer em outros dias da semana.

Escala 6×1

A escala 6×1 prevê seis dias de trabalho para um dia de descanso. Esse modelo aparece em setores como comércio, supermercados, farmácias e alimentação.

Em uma jornada de 44 horas semanais, a empresa pode distribuir as horas entre os seis dias, respeitando as regras de duração do trabalho e os intervalos obrigatórios.

O dia de folga pode variar, mas a legislação prevê descanso semanal remunerado de pelo menos 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos.

No comércio em geral, a legislação determina que o descanso semanal remunerado coincida com o domingo pelo menos uma vez a cada três semanas, levando em consideração as demais normais aplicáveis e acordos coletivos.

Atualmente, tramita no Congresso Nacional uma proposta para proibir a escala 6×1 (leia abaixo sobre seu avanço no Senado).

Escala 12×36

Na escala 12×36, o funcionário trabalha durante 12 horas consecutivas e descansa pelas 36 horas seguintes.

Se um profissional, por exemplo, começar o expediente na segunda-feira às 7h e terminar às 19h, seu próximo turno começará na quarta-feira às 7h.

Esse modelo é utilizado em atividades que precisam funcionar continuamente, como hospitais, serviços de vigilância e operações de atendimento.

O artigo 59-A da CLT permite essa escala mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. A legislação estabelece regras para os intervalos de repouso e alimentação, que devem ser cumpridos ou indenizados, e para a compensação dos feriados.

Outras escalas de trabalho

Além dos modelos mais comuns, há escalas alternativas adotadas conforme as necessidades da atividade e os acordos aplicáveis à categoria profissional. Alguns exemplos são:

  • 4×2: quatro dias de trabalho seguidos de dois dias de descanso.
  • 6×2: seis dias trabalhados e dois dias de folga.
  • 2×2: dois dias de trabalho e dois de descanso.
  • 4×4: quatro dias trabalhados e quatro de descanso.
  • 12×60: 12 horas de trabalho seguidas de 60 horas de descanso.
  • 12×72: 12 horas trabalhadas e 72 horas de descanso.

Leia mais: Como funciona a escala de trabalho em diferentes países do mundo?

Escala de trabalho 4×3: como funciona a semana de quatro dias?

Uma das alternativas para a redução da escala de trabalho é a 4×3, na qual o profissional trabalha quatro dias por semana e descansa três.

O modelo pode ser adotado como parte da proposta de semana de quatro dias, baseada no princípio 100-80-100: manutenção de 100% do salário, redução para 80% do tempo de trabalho e preservação de 100% da produtividade.

Em 2024, um projeto realizado pela 4 Day Week Brazil, com participação da FGV na avaliação, testou a semana de quatro dias em 19 empresas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Segundo os resultados divulgados, 71,5% dos participantes perceberam aumento de produtividade, enquanto o indicador de ansiedade semanal apresentou redução de 30,5%. Entre as empresas participantes estavam Editora MOL, Smart Duo e GR Assessoria Contábil.

Leia também: Como funciona a semana de 4 dias no Brasil e quais empresas já adotaram o modelo.

Quais são os direitos de quem trabalha por escala?

Independentemente da escala adotada, os profissionais contratados pela CLT possuem direitos relacionados à duração do expediente, aos intervalos e aos períodos de descanso.

Entre as regras estão:

  • Descanso semanal remunerado (DSR): período de pelo menos 24 horas consecutivas de descanso, preferencialmente aos domingos.
  • Intervalo intrajornada: pausa durante o expediente. Em jornadas superiores a seis horas, a regra geral é um intervalo de uma a duas horas, com possibilidades legais de redução.
  • Intervalo interjornada: descanso mínimo de 11 horas consecutivas entre duas jornadas, ressalvados os regimes específicos.
  • Horas extras: em regra, as horas excedentes devem receber adicional mínimo de 50%, salvo compensação válida ou regras específicas.
  • Domingos e feriados: o trabalho nesses dias deve observar as normas legais, os descansos compensatórios e as condições previstas para a categoria.

Antes de aceitar uma vaga, é fundamental conferir a escala prevista no contrato, os horários de entrada e saída, a frequência das folgas e as regras para trabalhar aos domingos.

O fim da escala 6×1 já foi aprovado?

Em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou a PEC que prevê o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso e sem redução salarial. Foram 75 votos favoráveis, e apenas um contrário, em cada um dos dois turnos, acima do mínimo de 49 exigido.

Antes, a PEC já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Como o texto não sofreu alterações, não precisa voltar à Câmara e segue direto para promulgação.

Pelo texto aprovado, as empresas terão 60 dias após sua promulgação para adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.

Leia mais: Escala 996: o que é, seus riscos e o que diz a legislação

FAQ: Perguntas frequentes sobre escala de trabalho no Brasil

Qual é a diferença entre escala e jornada de trabalho?

A jornada corresponde à quantidade de horas que o profissional trabalha. Já a escala define como esse tempo é distribuído entre dias de expediente e descanso. Uma jornada de 40 horas semanais, por exemplo, pode ser organizada em uma escala 5×2, com oito horas diárias.

Quais são os limites de horas por dia e por semana na CLT?

A regra geral prevê uma jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais. Existem possibilidades de compensação, horas extras e regimes especiais previstos na legislação. Para estagiários do ensino superior, o limite habitual é de seis horas diárias e 30 semanais, conforme a Lei do Estágio, com exceções legais.


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